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Jorge Vieira de Camargo
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Gasparino Vieira Borges
Iracema Rodrigues da Silva
Jorge Vieira de Camargo
João Vieira de Camargo
João Vieira de Camargo
Cypriano Vieira de Camargo
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Os filhos
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João Vieira de Camargo

Jorge Vieira de Camargo

(16.07.1913 - 24.03.2001)

 

 

Jorge Vieira de Camargo nasceu em Bom Jesus, no Rio Grande do Sul, filho de Cypriano Vieira de Camargo e de Maria Catarina da Rosa. Cipriano era filho de João Vieira de Camargo e de Mariana que era cativa. Maria Catarina era filha de Donato Raimundo da Rosa e de Marcelina Bosquetti. Bom Jesus pertencia então ao município de Vacaria.

Eis o registro de batismo: "George - Aos dezenove de fevereiro de mil novecentos e quatroze nesta freguezia de N. S. da Oliveira baptizei solennemente a Geoge nascido aos dezesseis de julho de mil novecentos e treze filho legítimo de Cypriano Vieira de Camargo e de Maria Catharina da Rosa. Padrinhos: Antonio Vieira Velho e Belizaria Domingues Velho. Para constar lavre este assentamento que assigno. P. Pacifico Vigário."

Ainda criança, aos seis anos de idade (1919) mudou-se com seus pais para Águas Brancas em Urubici então pertencente ao município de Bom Retiro em Santa Catarina. Ainda jovem ficou órfão (1936) de pai.

Casou-se no religioso em 22.07.1939 e no civil somente em 20.11.1942, com Iracema Rodrigues da Silva (27.02.1923 - ), filha de Gasparino Vieira Borges e de Dorvalina Rodrigues da Silva (Registrado no Cartório de Bom Retiro no Talão 4, paginas 4 verso e cinco). Gasparino era filho de Antonio Vieira e de Rita Vieira Borges. Dorvalina era filha de Manoel Rodrigues e de Verginia da Silva.

Quando Iracema nasceu, Jorge e sua mãe foram visitá-la, pois os pais eram amigos. Jorge levou como presente uma galinha. Assim, desde o berço, preparava aquela que seria sua companheira por aproximadamente sessenta anos.

Em sua juventude Jorge foi tropeiro. Com uma tropa de mulas carregadas de charque, queijo e farinha de trigo, percorria as trilhas vendendo seus produtos. Descia pela Serra do Corvo Branco ate Grão Para e depois ira ate Jaguaruna ou Laguna. Em seu retorno levava farinha de mandioca, sal e algum pescado. Descendo por Barracão (Alfredo Wagner) vinha ate Palhoça onde também comprava sal e pescado, alem de vender sua carga e também algumas de suas mulas. Descendo por Perimbó (Petrolândia) seguia por Salto Grande (Ituporanga) chegando ate Rio do Sul.

Vida dura! Como empregado seus rendimentos eram pequenos para sustentar a grande família que começava a se formar.

Jorge gostava de contar de uma vez em que, voltando de Jaguaruna se perdeu no alto da serra durante uma nevasca e foi encontrado congelado. Socorrido por outros viajantes foi descongelado lentamente junto a uma fogueira.

Também fazia parte de seu repertorio lembrar das palavras em alemão que teve eu aprender para poder vender seus produtos e do seu cachorro que desapareceu em Salto Grande e, quando chegou em casa em Águas Brancas o mesmo estava a sua espera sentado na soleira da porta.

Seu cachorro chamado “respeito” estava sempre presente em suas estórias. Contava, ainda, de uma vez em que matou uma cobra jararaca tão grossa que quando batia nela fazia “fofo”.

Mais tarde Jorge abandonou a profissão de tropeiro para dedicar-se a agricultura. Começou como rendeiro e depois adquiriu terras próprias e passou a plantar por conta própria. Plantava repolho, tomate, e outras culturas temporárias. Gostava de contar das dificuldades enfrentadas com os preços baixos na hora da comercialização da safra. Quando produzia quantidade, não tinha preço.

Jorge e Iracema moraram em Águas Brancas, onde tiveram todos os seus filhos, até 19.12.1970 quando mudaram para a Rua Professor Custódio de Campos, numero 25, em São José, hoje numero 210 e pertencente à Florianópolis.

Sua residência em Águas Brancas ficava próxima à capela católica onde Jorge e Iracema participavam ativamente das atividades pastorais e de catequese e oração. Jorge era o responsável pelo terço e participava com a família das novenas preparatórias de natal e páscoa. Nos meses de maio e novembro rezava com a família o terço diário. Em sua casa não havia refeição sem oração. Primeiro se rezava depois se servia a comida. Mesmo morando treze quilômetros da igreja matriz, Jorge fazia questão de ir a missa todos os domingos.

Participou da administração da Capela durante toda a sua vida. Nas festas era o assador de churrasco. Na época de finados lá ia o seu Jorge capinar o cemitério.

Seus filhos, quando iam para a aula já iam pré alfabetizados pelo seu pai que não deixava de tomar as lições diariamente. Ensinava a tabuada e exigia os deveres diários deste o mais velho até a mais nova. Suas filhas eram as mais queridas e ai de quem não pensasse assim. Ninguém tocava nelas. Mesmo assim gostava muito de todos os seus genros.

Em Florianópolis, Jorge enfrentou o mercado de trabalho da construção civil tendo iniciado como servente e trabalhado como carpinteiro e supervisor.

O passatempo predileto aos domingos a tarde era jogar dominó com seus genros. Eram horas e horas de descontração e diversão.

Com os netos Jorge não perdia a oportunidade de contar estórias. Ficaram na lembrança as de “as botas de sete léguas”, “a sopa de pedras”, “Pedro Malasarte”... Ficou também a lembrança da estória de que: “azia azeda, vejo um bobo com o pé numa pedra”.

Atacado pelo reumatismo foi aposentado primeiro por invalidez e depois por idade.

Jorge e Iracema tiveram 17 filhos.

Desde jovem Jorge Vieira de Camargo se dedicou a Igreja Católica de sua comunidade. Lecionou catequese e pertenceu a Legião de Maria, desde a juventude.

Vindo morar em Campinas em São José, imediatamente passou a freqüentar a Igreja Matriz onde ficou conhecido como encarregado da coleta na missa das nove aos domingos. Mesmo já quase impedido de locomover-se devido ao reumatismo continuava a sua tarefa. Tinha seu lugar fixo na igreja. Nunca deixou de pagar o centésimo.

Nas sextas-feiras da paixão participava da cerimônia do lava-pés representando o discípulo João. Quando a doença o impediu de comparecer solicitou a seu genro Nilo Momm que o substituísse.

Sua freqüência a Igreja era tal que desfrutou da amizade de todos os párocos que passaram pela Paróquia enquanto ali residiu. Freqüentemente era visitado pelos mesmos.

Por ocasião das bodas de ouro foi celebrada a santa missa com a presença de toda a comunidade com a liturgia sendo feita pela família sob a presidência do Padre (Chico) Francisco Wloch, seu particular amigo.

Por ocasião das bodas de diamante, aos sessenta anos de casado, Jorge redigiu uma oração que pediu a sua filha Eluiza para entregar ao Presidente da celebração que a leu nos seguintes termos:

“Ó meu Senhor e meu Deus, eu nunca esperava um aniversário de matrimônio de sessenta anos.

Ó meu Deus! Foi o maior presente que Deus me deu e a minha família.

Agradeço tudo em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Muito muito obrigado meu Pai do Céu por estes oitenta e seis anos de vida.

Eu vos peço ó Pai pelo vosso perdão para minha família de mais de sessenta pessoas.

Muito obrigado, meu Deus, em nome de Jesus.

A minha família é muito unida.

Adradecemos muito eu e minha esposa.

Jorge Camargo, seu criado. Muito obrigado meu Deus.”

Talvez o dia mais feliz da vida de Jorge tenha sido quando o Santo Padre o Papa João Paulo II visitou Florianópolis. Na época ele estava acometido por forte reumatismo que praticamente o impedia de se locomover. Cedo apareceu em sua casa seu genro Nilo que o convidou para ir ver o Papa. Convite feito, convite aceito. Lentamente nos colocamos no carro e fomos ate o terminal de ônibus. Com muito esforço Jorge conseguiu entrar no ônibus e fomos ate o terminal rodoviário. De lá seguimos a pe por cerca de duzentos metros apoiado sempre em suas bengalas. Lá aguardamos sentados no meio fio, em frente a rodoviária onde o Papa passaria. Quando o Santo Padre se aproximou no Papa móvel, Jorge tirou seu chapéu e fez um gesto brusco com o mesmo que chamou a atenção de João Paulo II que para ele dirigiu o olhar e uma benção. As lagrimas correram no rosto de Jorge e a alegria brilhou em seus olhos. Na volta, parece que as dores haviam desaparecido. Jorge agradeceu muitas vezes por esta graça.

Jorge e Iracema educaram seus filhos na fé católica e todos receberam os sacramentos do batismo, crisma, eucaristia e matrimonio, após a devida participação na catequese.

Jorge lia diariamente a bíblia sagrada. Possuía um exemplar da Historia Sagrada todo desgastado pelo uso mas nunca dispensado(Editora Vozes 1952). Era seu companheiro inseparável. Ai! se alguém duvidasse do que ali estava escrito. Na primeira página escreveu em letra de forma: “Este livro é o livro da minha vida”.

Em 08.03.2001, quando se dirigia para a Igreja, foi atropelado por uma motocicleta, na Rua Josué Di Bernardi, esquina com Professor Custódio de Campos, sofrendo fratura exposta na perna vindo a falecer após dezesseis dias de sofrimento, no Hospital Regional de São José.

Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério Municipal de Barreiros em São Jose.

 

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Nilo Momm